Pular para o conteúdo principal

Antigamente


“E acho que só para ouvir passar o vento
vale a pena ter nascido”.
(Alberto Caeiro)

Antigamente as pessoas viviam; hoje, na maior parte, são vividas.

Ainda pude viver um pouco o “antigamente”, e acredito conservar algo daquilo em mim...

Mesmo que a vida fosse difícil, lá na aldeia, na comunidade, distante do resto do mundo... Lá aqueles habitantes viviam todos os sentidos de que é contemplado o ser humano

– viver é experimentar os sentidos. Parece que muitos não sabem disto.

Aqui, onde a tecnologia nos trouxe, onde o capitalismo dita as regras de convivência, a vida parece muito mais fácil, porém o ruim é que isto não passa de mera aparência.

Assim, somos objetos dos objetos, vividos por eles... Os quais feitos para facilitar a vida, que, por conseguinte, terminam por viver a gente, tirando-nos o que é simples, como por exemplo: “ouvir passar o vento”.


Imagem Google, texto Agnaldo Tavares

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A qualquer instante

A vida é tão frágil em nossas mãos tal qual aquela borboleta que nos beijou no rosto quando ia pela rua... A qualquer instante podemos estar de partida, sem mesmo que haja tempo para arrumar a bagagem – sem despedidas, contrário ao percurso natural da vida... É triste o chegar subitamente, e deixar os nossos sonhos inacabados... Triste e inquietante pensar que possamos partir a qualquer momento, mas, em muitas situações é um acontecimento inevitável. Imagem Google, texto Agnaldo Tavares

Tempo...

Tempo de alegrias supérfluas, de escolhas injustas, em que pessoas descartam pessoas naturalmente... Tempo de interesses, propósitos de si com si mesmo; de busca por status à negação da própria vida... Tempo sem fé no outro, onde a esperança é apenas uma palavra de enfeite, e o amor quase sempre dito por obrigação de dizer... Tempo de olhos fugidos, pernas apressadas, conversas programadas; de afeto vendido em prateleiras de supermercados... Este tempo é corriqueiro, sem sabor nem cheiro; áspero e indolor. Tempo sem carícias, empobrecido de romances; onde o amor é profanado a modos mesquinhos de falso amar... Tempo de precisar urgentemente encontrar-se com o outro e com a gente enquanto há ponteiros que se movem a nossa direção... Imagem Google, texto Agnaldo Tavares

O jovem de Assis

Àquele jovem de Assis (Itália), no ato em que se desfaz de suas vestimentas em praça pública, deixa muito claro que nós não somos a roupa que vestimos, nem tanto a comida que comemos ou o idioma que falamos; a profissão que exercemos e as influências que temos a nosso favor.  A sociedade nos impõe diariamente maneiras de sermos contrárias àquilo que somos de verdade, o que muitas vezes é até absurda. E não podemos deixar isto acontecer sem sequer um mínimo esforço de resistência.  Não somos estas coisas tangíveis, apresentadas como identidade própria de nossa pessoa; somos mais que a materialidade aparente. Somos gente! Com um significado bonito de ser humano. Imagem Google, texto Agnaldo Tavares