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Mostrando postagens de janeiro, 2018

Sejam Bem Acolhidos!

A qualquer instante

A vida é tão frágil em nossas mãos tal qual aquela borboleta que nos beijou no rosto quando ia pela rua... A qualquer instante podemos estar de partida, sem mesmo que haja tempo para arrumar a bagagem – sem despedidas, contrário ao percurso natural da vida... É triste o chegar subitamente, e deixar os nossos sonhos inacabados... Triste e inquietante pensar que possamos partir a qualquer momento, mas, em muitas situações é um acontecimento inevitável. Imagem Google, texto Agnaldo Tavares

As pessoas simples cativam

Gosto de pessoas simples, que não se vangloriam por possuir coisas... Porque sabem que coisas são perecíveis e que a qualquer vento forte podem ser levadas... Gosto de pessoas simples, como Quintana que escrevia poesias para a Maria de todo o dia e para o João cara de pão... E que nas reuniões sociais se sentia isolado, porque o excesso de gente o impedia de ver as pessoas... (as simples). Gosto de pessoas simples porque a matéria de que sou feito é também simples – minhas origens pertencem ao barro, e ao barro tornarei eu matéria, porque eu alma só a Deus pertence. Gosto de pessoas simples que prefiram olhar mais nos olhos e quase não no relógio, porque o sabor da companhia é tão proveitoso que o tempo ultrapassa as horas e entorta os ponteiros... Gosto de pessoas simples que falem de saudades, que não reprimam os sentimentos, não sufoca o amor no peito por capricho bobo do orgulho... Que goste de olhar estrelas e que descrer que elas morrem... Porque elas não morrem nunca, poi...

Antigamente

“E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido”. (Alberto Caeiro) Antigamente as pessoas viviam; hoje, na maior parte, são vividas. Ainda pude viver um pouco o “antigamente”, e acredito conservar algo daquilo em mim... Mesmo que a vida fosse difícil, lá na aldeia, na comunidade, distante do resto do mundo... Lá aqueles habitantes viviam todos os sentidos de que é contemplado o ser humano – viver é experimentar os sentidos. Parece que muitos não sabem disto. Aqui, onde a tecnologia nos trouxe, onde o capitalismo dita as regras de convivência, a vida parece muito mais fácil, porém o ruim é que isto não passa de mera aparência. Assim, somos objetos dos objetos, vividos por eles... Os quais feitos para facilitar a vida, que, por conseguinte, terminam por viver a gente, tirando-nos o que é simples, como por exemplo: “ouvir passar o vento”. Imagem Google, texto Agnaldo Tavares

Tempo...

Tempo de alegrias supérfluas, de escolhas injustas, em que pessoas descartam pessoas naturalmente... Tempo de interesses, propósitos de si com si mesmo; de busca por status à negação da própria vida... Tempo sem fé no outro, onde a esperança é apenas uma palavra de enfeite, e o amor quase sempre dito por obrigação de dizer... Tempo de olhos fugidos, pernas apressadas, conversas programadas; de afeto vendido em prateleiras de supermercados... Este tempo é corriqueiro, sem sabor nem cheiro; áspero e indolor. Tempo sem carícias, empobrecido de romances; onde o amor é profanado a modos mesquinhos de falso amar... Tempo de precisar urgentemente encontrar-se com o outro e com a gente enquanto há ponteiros que se movem a nossa direção... Imagem Google, texto Agnaldo Tavares

O jovem de Assis

Àquele jovem de Assis (Itália), no ato em que se desfaz de suas vestimentas em praça pública, deixa muito claro que nós não somos a roupa que vestimos, nem tanto a comida que comemos ou o idioma que falamos; a profissão que exercemos e as influências que temos a nosso favor.  A sociedade nos impõe diariamente maneiras de sermos contrárias àquilo que somos de verdade, o que muitas vezes é até absurda. E não podemos deixar isto acontecer sem sequer um mínimo esforço de resistência.  Não somos estas coisas tangíveis, apresentadas como identidade própria de nossa pessoa; somos mais que a materialidade aparente. Somos gente! Com um significado bonito de ser humano. Imagem Google, texto Agnaldo Tavares